Wednesday, November 8, 2017

Carta ao Pai Natal

Cabrão.

Hoje sinto-me cansada, por isso bebi café. Bebi demasiado café (na verdade preciso de mais um), agora tenho um cérebro acelarado.
A culpa é tua.

Não consigo pensar, mas tenho o cérebro acelarado. (repito-me.)
A culpa continua a ser tua.
Vais morrer.
Felizmente, todos morremos.
Tu vais morrer primeiro. Vou fazer questão disso. Não sabes ainda. Não tens cuidado. 
És ingénuo (talvez)...

Vais morrer.
Cabrão.
Vais morrer.


(O Pai Natal não recebe cartas. Até pode existir, mas ninguém envia cartas ao Pai Natal. 
Escrever sim, as crianças escrevem cartas com os seus respectivos desejos. Os pais não as enviam; e mesmo se quisessem, quem sabe a morada do Pai Natal?
Escrever cartas ao Pai Natal é escrever sem intenção de envio. Envelopes sem destinatário.)


Cumprimentos.

Sunday, January 19, 2014

Amar um morto

"All these people they don't even know me
but I love how you think you know me 
better than I know myself"



Levanto-me ainda a dormir. Levanto-me sem saber para onde vou. Levanto-me... Ainda morto. 
Nasci morto. Cresci morto. Morri quando acordei. (não morri: nunca vivi. para morrer é necessário viver.)
Não morri...
Levanto-me. Morto. O costume. Enfrento mais um dia da minha morte. Espero um dia viver, não sei bem porquê.

O morto que passeia sem rumo. O morto que grita sem pulmões. O monstro que nunca viveu...
Fascino-te. Sou tudo o que queres ser. O homem que nunca viveu. Ninguém quer viver. Excepto eu. Quero viver porque estou morto. Se fosse vivo queria morrer.
Fascino-te... Queres amar-me. Amar um morto. Rídiculo. Amar um estranho...

Deito-me, já a dormir. Deito-me sem necessidade. Deito-me... Ainda morto.

Friday, October 4, 2013

O Gago

A..aaa..aa....
(Fala logo!)
Está... está... na hora...


Gaguejava, o imbecil. Manda-a para a cama! Faz o que quiseres com ela! Mostra-lhe quem manda!
Não queria. Recusava-se. Era gago. Ser gago é ter medo. Ter medo é ser imbecil. És um imbecil.

É... é ta...é tarde...

Gaguejava, o imbecil! É TARDE! Grita-lhe! GRITA! Não te sentes melhor?

Aaa...

Nem tentes! Imbecil, é tarde! A estas horas não se fala! A estas horas não se gagueja. A estas horas não se escreve. A esta hora dorme-se. Mas ninguém aqui sabe mandar. Ninguém manda o gago para a cama. O gago não manda a miúda para a cama. Ninguém vai para a cama: todos têm medo. Têm medo do sono, os imbecis.

Quero atenção.

O gago não vê nada, limita-se a perder-se nas suas patéticas sílabas. A miúda é miúda, não sabe nada. Quer atenção.
Querem atenção.

O gago grita: Vai dormir!
Mentira. Não grita, é gago. O imbecil.
O gago grita: Eu é que mando em ti! Faz o que eu te digo!
Mentira. Não grita, é gago. O imbecil.

A miúda faz birra. Chora, grita, esperneia. Sem problemas: não é gaga, somente imbecil.

E agora? Quem vai pôr ordem na casa? O gago é gago. Ninguém é capaz de calar a miúda. Alguém cale a miúda!

Está na hora. A miúda é imbecil, mas tem sono. Adormece, sem atenção.
Está na hora. O gago adormece, sonhando com sílabas soltas e repetidas. Até na ficção é gago. O imbecil.

Thursday, October 3, 2013

Hoje li o teu olhar.


 Olá, José.

Hoje li-te. As tuas palavras desenharam o punhal que escondes. Vi-o: o punhal que será o nosso fim. Não o queria ver. Não o queria ler. A tua arma lírica encostada ao meu peito...
As tuas palavras cansam-me. Enlouquecem-me. Pára. Sai desse quarto fechado, não escrevas mais. Isto tudo, para quê? Pensas... Quis dizer-te boa tarde, mas cheguei tarde. Os curtos dias de outono não me deixam olhar-te. Olho-te sem te ver. Vejo as tuas palavras e choro. Hoje li-te. Chorei.
Inundas-me com as tuas palavras; afundo-me na sombra: A sombra da tua solidão... (És o reflexo do vazio.) Deixo as tuas palavras recheadas de dor perfurarem-me. Abandonas-me no chão gelado a sangrar frases mal ditas... Olhas-me com páginas em branco. Num suspiro, que esqueces de escrever, saltas. O teu vazio balonça por baixo dessa árvore rodeada de sol.
Hoje li-te. As tuas páginas mataram-nos: arrastaram-nos para o vazio: as tuas páginas uniram o nosso olhar... Um olhar que nunca existiu.

  Adeus, José.

Saturday, May 18, 2013

Inverno primaveril

A qualidade do frio é congelar o ser humano, obrigá-lo a parar. Hoje falhou a sua tarefa. Este vendaval parece derrotar tudo excepto o que deve: os dedos. Com o corpo imóvel, cada imbecil sente-se obrigado a utilizar o que lhes resta, e escrevem. O inverno é o jardim da imbecilidade literária.
Claramente, sou imbecil. Obviamente. Nitidamente. Imbecil. Está frio. Não me estou a desculpar... Ou melhor, estou, mas não sou igual aos outros. Eu sou um imbecil diferente. Eu sou Imbecil (maiúsculo! grande!), sou a Imbecilidade Divina! Convidei Adão para visitar o meu jardim, Eva ficou em casa. A Salomé trouxe chá. O João foi baptizar mais um imbecil que certamente virá escritor. Lanchar, com Salomé e Adão, ao som do vento. Arrependi-me.
Do jardim. De obedecer ao frio. Judas avisou-me. Judas é sábio. Judas...
Judas explicou-me como era o jardim. Foge, gritou. O frio não nos abandona neste jardim. O frio persegue-nos e derruba-nos, até sermos vento. O jardim tornou-me imbecil (ou foi o chá?). E aqui me encontro, sentada, entre Adão e Salomé. Judas avisou-me. Judas é sincero.
Judas esteve aqui, noutro tempo. O maior amigo que poderás ter é Judas. Abraçou-me no meio do vendaval. Mostrou-me o sol. A maçã foi mais sedutora, trouxe-me a este jardim. Judas não escreve, vive. O meu maior desejo é ser como Judas – não ser um mero apóstolo, uma personagem confusa, um escritor imbecil. Quero ser uma alma. Ser realmente alguém. Não ter frio.
Os dedos deveriam ser os primeiros a congelar, só assim o Homem ficaria eternamente calado. O inverno é o jardim da imbecilidade literária. Hoje não é inverno, simplesmente está frio. Este congelou os imbecis. (principalmente os cérebros. deixaram de respirar. tremes. tremes. tremes... está frio.)
Não gosto de maçãs. Uma cereja desfruta o calor dos meus lábios.

Thursday, January 10, 2013

Arte que pisa o último degrau.

Queria ser artista. Tentei, falhei.
Insisti. Quero ser artista! Tentei, falhei.
Não desistas, dizem. És artista, tenta! Falhei.
Continuei assim até entender o significado de artista.
O artista é um criador, e eu não passo de uma mera criação.

Monday, December 10, 2012

Hoje.

Trabalha, Bárbara. Hoje é o teu dia. Luta, Bárbara. Hoje é o teu dia.
Hoje é o teu dia, Bárbara...
Os teus longos cabelos esvoaçam ao vento. O sol está sob o teu controlo. A natureza, hoje, pertence-te. Hoje, o mundo é teu.
Eu, inclusive, sou teu. Apenas hoje, pertenço-te. Tocas-me com o vento, bruscamente. Nunca foste meiga. Nunca fui teu. Excepto hoje. Hoje sou teu.
Força, Bárbara. Hoje é o teu dia!

Hoje, desvaneço. Hoje, morro. Hoje, não sou ninguém. Não trabalho. Não luto.
Não te toco. Amanhã não estarei cá. Sê meu, apenas hoje. Serei meiga.
Não me abandones, Daniel. Hoje não. Sente comigo a natureza, a fragilidade do vento.

A morte é superior a ti, a mim, e à própria natureza. A morte levou-nos... Hoje? Amanhã? Um dia. Levou-nos, como se nos embalasse para dormir: suavemente. Fechamos os olhos, mergulhamos na escuridão, e adormecemos.

Sunday, December 2, 2012

Nomes.

Quem és tu, Magdalena?
Quem sou eu, Judith?
O que sou eu, Magdalena?
O que és tu, Judith?

Que fazes, Cassandra?
Que faço, Lori?
Quem és, Cassandra?
Quem sou, Lori?

Magdalena, aprende com Lori.
Cassandra, não odeies Judith.
Lori, voa com Cassandra.
Judith, canta com Magdalena.

Magdalena...
Judith...
Cassandra...
Lori...
Respiras?
Sozinha ou acompanhada?
Magdalena...
Judith...
Cassandra...
Lori...
Respiro?
Ao vosso lado?

Magdalena,
Não existes.
Judith,
És pó.
Cassandra,
Morres.
Lori,
Estás só.

Nomes, são vocês. Letras. Palavras sem significado.
Eu, sou ar. Vento. Vida vazia.

Adeus, Magdalena.
Adeus, Judith.
Adeus, Cassandra.
Adeus, Lori.
Despeço-me de mim mesma.

Wednesday, November 28, 2012

Carta a um escritor

O que é uma carta se não um desabafo? Ou prefere que seja tradicional?

Caro Senhor,...

Não. Tu não és tradicional. Hoje, aqui, para mim, és tu. Só assim te posso sentir perto. Esta noite acaricio as tuas palavras, as tuas frases, as tuas páginas; talvez, a tua face. (fazes parte da tua arte? és a tua arte?)
Escrevo-te... Porquê? Não te vou elogiar, calculo que tenhas consciência do que és: se não tiveres, prefiro não o descobrir; hoje és quem eu quero. Hoje és meu. Escrevo-te... para te possuir. Preciso de sentir que te uso, aproveito-me dos teus livros; não tu de mim! É verdade, manipulas os teus leitores: disfarças com requinte: aniquilas suavemente. Nós, os teus leitores, somos o teu produto. O Homem é a tua máquina.
Leio-te. Deixas-me, tal Ludmilla, maldisposta, e como ela, gosto. Ler-te é um prazer sadomasoquista. A tua marca ferve dentro de mim. A tua força feriu-me. O prazer foi todo meu. És ódio, por isso és amado. És arte, és admirado. És Homem ou Máquina? És a besta que vendeu a alma!
És sonho em papel. (mas pouco deixas sonhar. estás sempre ao ataque. não te dás ao luxo de ser fraco.) Eu sou preguiça em madeira. (compreendes?)
Escrevo-te... para nada dizer. Este momento, que não lês, foi a nossa noite juntos: a carta que escrevo é o momento que a lua nos banha; estes 15 minutos que gasto a pensar em ti, maldisposta, é o tempo que não existe: é o tempo que mata o irreal. Mata-te, porque não és real, e mata-me, porque te crio.
Tu... Homem ou Artista? Leio o artista, mas a quem escrevo?
Não te perguntei nada, não quero saber coisa alguma. Toquei-te, à minha maneira (com o meu indicador).


Margarida, sua fiel leitora.

Monday, October 15, 2012

2012

2012: cinco mensagens. Um ano, cinco dias. Analisemos.

Janeiro: Pensamentos vazios: Melancolia.
              Am I not allowed to dream?: Sonhos despedaçados.
Março: Cartas de Rachael: Literatura? Personagem literária (talvez.) Lê, não compreenderás.
Junho: Understanding a Scorpio: Estupidez.
Outubro: "Pensamentos Soltos" – Auto-crítica: Insultos! Degredo. Humilhação.

Cinco dias, uma vida. Uma vida que começa com pensamentos vazios, e acaba com pensamentos soltos (simples coincidência). 
Um ano, uma vida. Um ano curto; uma vida prematura. Analisemos.
                                                                                Analisemos.
                                                                                Analisemos.

O quê?
Um ano.
Cinco dias.
Uma vida.
Melancolia + Sonhos despedaçados + Pseudo-literatura + Estúpido e Humilhante = Tu.
Desculpa, enganei-me. Eu. Sou um ano curto, um ano idiótico e desnecessário, uma vida de cinco dias (acrescento hoje um. Não analises este momento, deixa-me respirar.)
O mundo não acaba, e o ano também não. No entanto, sinto o ano (o mundo, a vida, o nome que tu - que na verdade sou eu - decidires atribuir) apagar-se. Outubro marca um fim que não finaliza.
2012 pensou. 2012 ofendeu. 2012 arrasou.

(Não tenho mais nada a dizer. Nunca tive. Nunca acrescentei virgulas à vida, limitei-me aos pontos finais. Gosto deles. São graficamente bonitos. Estéticos!)

Quero falar. Melhor, escrever. Não sei falar. (Nem escrever.)






Tenho saudades de Rachael. (Vanity, nunca)
Tenho saudades do que nunca fui e do que nunca tive.
Tenho saudades tuas - minhas.
Tenho saudades de respirar.
Tenho saudades...
Os portugueses têm o luxo - e o horror - de sentir saudade.

De que falávamos? Perdi-me. Perdoa-me. A minha mente não aguenta, não como antigamente. Divaga. Dança. Mente. (entendes? acompanhas o meu pensamento?)
Finalizo. Amanhã é dia de trabalho. Talvez devesse ir ler; literatura a sério, lembraste?
Que desperdício, este texto. Este ano. (esta vida!)
Afinal parece que não me esqueci por completo da razão pela qual comecei.

Tuesday, October 9, 2012

"Pensamentos Soltos" – Auto-crítica

Estive a vasculhar o passado. Encontrei um blog antigo (intitulado, precisamente, Pensamentos Soltos) e, em retrospectiva, decidi publicar um último post, uma crítica ao dito blog.
Entusiasmei-me. Gostei. Decidi partilhar.
Aqui vai.


Bela merda que é este blog! Só faz sentido para o que nunca fez sentido. Quis dizer coisas da pior maneira. Copiei o que dizes, e tu nunca falaste bem. Nunca escreveste bem. Vais aprendendo... Mas que bela merda!
Pardon my french. Um monte de estrume! Muito mais correcto. Continua feio e fedorento. Que fedor! Cala-te!

Cambada de incompetentes. É o problema desta sociedade, e destes blogs; todos se acham escritores. Não vêem? Serão cegos? Chamas a isso palavras?! Chamas a isso arte?! Que insulto! Que insulto para qualquer verdadeiro escritor! QUE INSULTO!
Lendo isto de um ponto de vista exterior, nem quero dizer o que pensaria da minha pessoa... Twilight a mais, diria. Mais uma, pensam que escrevem!
Onde estão os verdadeiros escritores? Onde estão aquelas frases, aqueles significados que marcam a nossa vida? Onde estão os romances "que me fazem sentir mal disposta"? (Mas não neste sentido, noutro. Noutro que tu nunca irias entender, porque nunca leste. Nunca percebeste a qualidade. Lês twilight e isto. Lês bosta. Nem reconheceste a citação! Como não conheces?!)
Procura-os. Só aí mereces saber onde eles se encontram. Encontram-se na cultura. Na qualidade. Na arte. Na verdadeira arte! Não nisto!

Porque continuas a ler? Porque continuas a ler este insulto a tudo o que já foi criado? Um insulto à literatura! Vai ler bons livros! Vai ler bons escritores! Eles merecem. Eu não.
Eu não...

E este blog muito menos. Que pivete! Não consigo aguentar mais este odor!
Apaga da memória. Apaga tudo o que leste aqui. Não merece ser lido, e não mereceu ser escrito. É o feio no seu estado cru; mas não o feio bonito, ou o feio filósofo; é o feio! (existe feio feio? uma prova que não mereço ser lida... pus a possibilidade de escrever feio feio! o feio do feio! imbecilidade.)

Imbecil. Tu. Eu também, não me ataques já.
Imbecil. Pára de ler.
Imbecil. Não consigo parar de escrever.
Imbecil! Não quero escapar!
Imbecil! Pára!
Imbecil! Foge!
IMBECIL! SAI!
IMBECIL!
IMBECIL!

O que estás a fazer? Gostas? Não sabes nada de literatura. Não conheces arte.

Tuesday, June 5, 2012

Understanding a Scorpio

    One symbol of the sign of Scorpio is the phoenix. If you meditate upon the legend of the phoenix you will begin to understand the Scorpio character - his or her powers and abilities, interests and deepest urges.
    The phoenix of mythology was a bird that could recreate and reproduce itself. It did so in a most intriguing way - fly into it, consume itself in the flames and then emerge a new bird. If this is not the ultimate, most profound transformation, then what is?
    Transformation is what Scorpios are all about - in their minds, bodies, affairs and relationships (Scorpios are also society's transformers). To change something in a natural, not an artificial way, involves a transformation from within. This type of change is a radical change as opposed to a mere cosmetic make-over. Some people think that change means altering just their appearance, but this is not the kind of thing that interests a Scorpio. Scorpios seek deep, fundamental change. Since real change always proceeds from within, a Scorpio is very interested in - and usually accustomed to - the inner, intimate and philosophical side of life.
    Scorpios are people of depth and intellect. If you want to interest them you must present them with more than just a superficial image. You and your interests, projects or business deals must have real substance to them in order to stimulate a Scorpio. If they haven't, he or she will find you ou - and that will be the end of the story.
     If we observe life - the process of growth and decay - we see the transformational powers of Scorpio at work all the time. The caterpillar changes itself into a butterfly; the infant grows into a child and then an adult. To Scorpios this definite and perpetual transformation is not something to be feared. They see it as a normal part of life. This acceptance of transformation gives Scorpios the key to understanding the true meaning of life.
     Scorpio's understanding of life (including life's weaknesses) makes them powerful warriors - in all senses of the word. Add to this their depth, patience and endurance and you have a powerful personality. Scorpios have good, long memories and can at times be quite vindictive - they can wait years to get their revenge. As a friend, though, there is no one more loyal and true than a Scorpio. Few are willing to make the sacrifices that a Scorpio will make for a true friend.
     The results of a transformation are quite obvious, although the process of transformation is invisible and secret. This is why Scorpios are considered secretive in nature. A seed will not grow properly if you keep digging it up and exposing it to the light of the day. It must stay buried - invisible - until it starts to grow. In the same manner, Scorpios fear revealing too much about themselves or their hopes to other people. However, they will be more than happy to let you see the finished product -but only when it is completely unwrapped. On the other hand, Scorpios like knowing everyone else's secrets as much as they dislike anyone knowing theirs.


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Wednesday, March 21, 2012

Cartas de Rachael

So I asked her:
What if this does not belong to you
And all the things you thought were true
Turned out to just be someone else's lies?



Rachael. Um nome, uma identificação. Quem és, Rachael?
"Sou uma alma efémera."
Frases soltas num papel manchado. Frases sem sentido que se cruzam. Cartas rasgadas e rascunhos desperdiçados. Gosto de te imaginar com uma personalidade distorcida e uma mente à deriva.
"Abraça as minhas explosões. Deixa-te destruir."
O corpo é efémero, a alma devia ser eterna. Explica-me o que queres dizer, Rachael. Quero ler-te. Não te quero abraçar, não te quero real. Quero que sejas uma alma, mas eterna. Não me destruas! Quem és, Rachael?! Mostra-me mais! Escreve mais! Sê eterna!
"Boom! Morri."
Nada te identifica. Apenas uma assinatura. Rachael. O que significa um nome, se nada mais que um título gráfico? No entanto, conheço-te. Sinto-te próxima e igualmente longínqua. Abraça-me... Aparece e destrói-me.
Rachael... És tudo o que eu queria ser, que na verdade já sou. És desprezo e amor. Rachael, és um monte de cartas loucas! Cartas sem destinatário e sem remetente. Devaneios de madrugada! Morreste? Permanece morta.

Saturday, January 28, 2012

Am I not allowed to dream?

How stupid am I for dreaming? For thinking of every little thing possible in life. Every time I do it, everything fades... I only dreamt about it, and it died! All it took was a dream to kill us. To kill what never existed. Every. single. time.
It's only a dream... It's supposed to die. I know it, I'm used to it. But this time, I'm falling to my knees, and I don't know why. NOTHING WAS REAL! I fell in love with the dream, and now I'm dying... 
I miss what we never had.

Wednesday, January 4, 2012

Pensamentos vazios

Um sentimento esmaga-me o peito. É o vazio que me consome a alma. O vazio... o fim... Nada. Nada me consome, e tudo me esmaga. Não sinto nada, e no entanto sinto tanta coisa...
A minha mente é inundada por pensamentos ocos. Pensamentos sem nexo que não sei explicar. Se conseguisse explicar, seria o mundo diferente? Saberiam quem sou?
Quero desaparecer...
Quero ser alguém que não eu...
Quero ter uma vida diferente todos os dias.
Quero tudo o que não posso ter...


Sei que não sou a única. Então porque me sinto tão abandonada?

Thursday, December 8, 2011

A revolução

A revolução sente-se no ar. Uma sensação comestível, saboreia-se o ar; um paladar agridoce. A cidade aparenta estar adormecida mas nunca esteve tão desperta. Não é uma revolução de armas, não é uma revolução económica ou política; é uma revolução espiritual. O mundo batalha consigo próprio. Os corpos foram apoderados por uma crescente rede de sentimentos contraditórios; o ser humano tornou-se o seu inimigo e não sabe como se aniquilar.
O planeta está em guerra! Pais desprezam filhos, esposas matam maridos... A moralidade morreu. A esperança morreu. Somente o ódio sobrevive. O ódio viola os corações das almas mais puras, enquanto o desgosto lhe faz companhia. As lágrimas gritam por socorro em vão - ninguém as ouve. Uma humanidade surda pisa esta terra, esta lama banhada de sangue. Onde está o teu salvador?
Uma revolução que pretende mudar mentalidades... Forçar o animal humano a mudar, a fugir aos seus instintos. Querem reescrever séculos de História, acrescentar o amor, a tolerância e o perdão. Será possível, ou continuará o sangue sujo a manchar esta cidade? Uma revolução perdida, diria o homem sábio.

Sunday, November 20, 2011

Há momentos assim.

Quero o fim sem mudança; o fim sem a dor, o fim sem sentimento. Não o quero conversar, não quero ter de o enfrentar. Quero afastar-me sem o perceber... sem tu o perceberes.
Cansei-me. Acordei. Não me interessa o que pensas ou o que dizes. Cansei-me!
Não preciso de dizer tudo o que odeio... Tu sabes de cor o que me incomoda. O que me aniquila.
Não sei o que te quero dizer... Quero que aprendas a amar-me. Entendes?  Entendes o que quero e o que me mata? Entendes alguma coisa?...
Odeio a sensação de vazio que tenho quando estou contigo. Um vazio escuro e esmagador.
Odeio não saber o que fazer ou dizer. Odeio isto, odeio aquilo; odeio! Odeio tudo.
Infelizmente, não sou capaz de te odiar... Não sou capaz de me afastar.

Infelizmente, não tenho coragem de te mandar esta mensagem.

Saturday, November 5, 2011

Não te amo

Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma – tenho a calma,
A calma – do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.


Almeida Garrett

Saturday, October 8, 2011

tumblr

Só para deixar a mensagem de que decidi aderir ao tumblr. I was bored.
Depois de horas (literalmente) a tentar arranjar um url - porque já existia tudo!, cheguei a ourloveisalie.tumblr.com

:)

Tuesday, July 12, 2011

Cronologia de um blog

Estive a rever este blog. Ler o passado, lembrar o que esqueci.
As coisas mudaram, ou nem por isso? Well, aparentemente não gostava de músicas antigas, and now I'm a 80's lover :) Isso mudou.
Mas e o resto? A partir de por volta de 2008, pelo menos, pelo que li, não mudou muito. Que conclusão retirar? Music freak, yes. Problematic (and stupid) teenager, yes. Self-esteem issues, alot more back then, but yes. Abandoned, yes.
Então... Qual é a conclusão ALÉM disto? Não sei... Não quero aprofundar o vazio. Quando olhamos para um poço, sabemos que não há mais nada para além do que vemos, mas o simples facto de não vermos o fim faz-nos questionar e querer descobrir. Descobrir o que já sabemos. A esperança leva-nos a limites patéticos...

A ouvir música, tal e qual em como muitos dos outros posts, caio na tentação de citar algo que estou a ouvir, com esperança de me expressar melhor. Não o vou fazer. Depois de 3/4 anos, os sentimentos são os mesmos. Para quê continuar a fazer-me de vítima? Não o sou. Cobarde, inútil, talvez, mas vítima não. Não sou nada nem ninguém. E depois? Não vamos todos morrer? Ainda bem, muitos nem mereciam nascer. Talvez seja aí que me enquadre.

Nunca mudamos realmente. O passado não nos abandona. Somos animais, somos monstros e fantasmas. Oh, genetics are such a bitch. Quando nasci, estive quase a morrer logo após a minha "chegada". Teria sido o melhor, talvez... Não seria mais uma dor de cabeça no mundo nem mais uma boca a alimentar e a desperdiçar.
Pressinto que o meu primeiro pensamento, assim que cheguei ao mundo, foi "fuck, onde é que me vieram meter? não gosto." E estupidamente meti aquele pensamento na cabeça, até chegar a este ponto.

Serei igual a... ...
Vou passar a minha vida a lamentar quem sou?